A Importância do Pré-Natal para Reduzir o Risco do Parto Prematuro

O pré-natal é fundamental para uma gestação segura tanto para mãe quanto para o bebê. Mas o acompanhamento médico da gravidez pode ajudar a reduzir os riscos de um parto prematuro? Quem responde é a ginecologista e obstetra Dra. Paula Marin Petersen, coordenadora da Unidade Semi-intensiva da Pro Matre Paulista.

“70 a 80% dos partos pré-termo são espontâneos”, conta a médica, “ou seja, decorrentes de trabalho de parto ou ruptura de membranas pré-termo. Entre os fatores de risco para esses partos espontâneos prematuros podemos citar parto prematuro anterior, polidrâmnio, gestação múltipla, cervicodilatação precoce, colo curto, incompetência cervical, cirurgia cervical anterior, alterações uterinas anatômicas (miomas, útero unicorno), infecções sistêmicas na gestação e tabagismo”.

Já os outros 20 a 30% dos partos antes das 37 semanas, explica a especialista, “são decorrentes de antecipação do parto por risco à saúde materna ou fetal, como acontece em casos de pré-eclâmpsia grave, placenta prévia, restrição de crescimento fetal, centralização fetal ou descolamento prematuro de placenta”.

Por isso, afirma Dra. Paula, “o acompanhamento pré-natal eficiente é capaz de impactar consideravelmente na redução da prematuridade. No pré-natal, por meio de uma boa história clínica e exame físico, o médico irá identificar as pacientes com os fatores de risco para parto pré-termo, podendo acompanhá-las mais de perto e intervir quando necessário”.

“Medidas como realização de ultrassonografia com medida com colo uterino, orientação de repouso e afastamento de atividades de trabalho, solicitação de exames de culturas vaginal e urinária, suplementação de progesterona, cerclagem de colo uterino, prescrição de corticoide antenatal, tratamento de infecções, colocação de pessário ou mesmo encaminhamento para internação para inibição de trabalho de parto ou por suspeita de ruptura de membranas são alguns exemplos do que pode ser feito dependendo de cada caso”, relaciona a obstetra.

“Já naquelas pacientes com doenças na gravidez que podem levar à antecipação do parto”, explica a doutora, “um pré-natal rigoroso, com intervalo entre consultas reduzido, realização periódico de exames, orientação consistente à gestante, e um obstetra seguro, atualizado e que domine casos de alto risco faz toda a diferença, e vai conseguir manter a gestação intra-útero por mais tempo e com segurança materna e fetal”.

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Prematuridade: Quais são os Sintomas do Parto Prematuro?

A campanha Novembro Roxo surgiu para conscientizar a sociedade a respeito da Prematuridade. Por isso, chamamos a Dra. Carolina Burgarelli Testa, ginecologista e obstetra, para explicar quais são os sintomas do parto prematuro.

“O parto prematuro é aquele que acontece antes das 37 semanas de gravidez e é a principal causa de complicações neonatais,” conta a médica. “Em 25% dos casos, o parto pré-termo acontece por alguma condição materna ou fetal, mas em 75% das vezes acontece de forma espontânea”.

Mas há como identificar se a mulher tem maior chance de ter um parto prematuro?

“Durante o pré-natal”, explica, “o obstetra costuma identificar se a gestante apresenta fatores de risco para a prematuridade, como o antecedente de parto prematuro anterior, doenças maternas, gestações múltiplas, alterações do líquido amniótico, alterações no útero ou colo uterino, tabagismo, infecções, entre outras. Todavia, em torno de 50% das pacientes que apresentam trabalho de parto prematuro espontâneo não têm um fator de risco identificável e, por isso, é muito importante a identificação de sinais e sintomas que podem estar relacionados a um parto prematuro para que seja realizada uma avaliação médica”.

E quais são esses sintomas? “Os principais sintomas de parto prematuro”, diz Dra. Carolina, “são relacionados às contrações, que podem ser identificadas através do endurecimento do ventre materno, que persiste por alguns segundos, não relacionado à movimentação fetal”.

“Muitas vezes é difícil distinguir as contrações de treinamento das contrações efetivas. As contrações efetivas”, esclarece a especialista, “costumam ter um ritmo regular e persistem após o uso de analgésico, e, principalmente, produzem alteração no colo uterino (que só é detectável através de exame clínico”.

“Além das contrações regulares,” lembra a médica, “a paciente pode apresentar outros sintomas, como dor em peso em baixo ventre, dor lombar persistente ou irradiada para o abdome, alteração do conteúdo vaginal (corrimento aumentado, sangramento vaginal, perda de tampão mucoso, perda de líquido amniótico)”.

O importante, informa a doutora, é que “diante desses sintomas seja feita uma avaliação médica para que, caso seja diagnosticado um trabalho de parto prematuro (com dilatação precoce do colo uterino), o obstetra possa agir de maneira direcionada para tentar evitar o nascimento pré-termo ou, pelo menos, adiar o nascimento em tempo suficiente para que seja administrado à mamãe medicações para melhorar a condição do recém-nascido, como a betametasona para a maturação pulmonar fetal e a profilaxia antibiótica para reduzir o risco de sepse neonatal”.

O Que É Prematuridade Extrema?

Muitas pessoas não devem saber, mas existem diferentes níveis de prematuridade e que faz muita diferença para o bebê nascer com 36 ou 26 semanas. Afinal, quanto mais cedo for seu nascimento, menos desenvolvido estará seu organismo.

Os níveis de prematuridade estão divididos em Extremo, Muito Prematuro, Prematuros Moderados e Prematuro Tardio, de acordo com as semanas de gestação.

Quem explica o que é a Prematuridade Extrema é Dra. Edineia Vaciloto Lima, neonatologista e chefe da UTI neonatal da Pro Matre Paulista.

“A prematuridade extrema”, conta ela, “é a população de recém-nascidos com idade gestacional menor de 28 semanas e peso menor de 1000 gramas”.

Bebês prematuros extremos exigem cuidados mais específicos em uma estrutura de UTI Neonatal, como a disponível na Pro Matre.

“Hoje esse grupo de recém-nascidos vem crescendo a cada ano com boas taxas de sobrevida e com uma preocupação constante em diminuir a morbidade desses bebês”, diz a médica.

Mês da Prematuridade

No dia 17 de novembro é celebrado o Dia Mundial da Prematuridade. A data foi criada para conscientização da população sobre o assunto em 2009 e já é comemorada em mais de 50 países.

No Brasil, de acordo com dados da Fiocruz, nascem cerca de 340 mil bebês antes da gestação completar 37 semanas.

Para explicar melhor a prematuridade, conversamos com a Dra. Edineia Vaciloto Lima, neonatologista e chefe da UTI neonatal da Pro Matre Paulista.

“O nome UTI sempre acompanha um temor ou algo muito difícil, sofrido e triste…” diz a médica. “A nossa proposta é acolher da melhor forma possível os pais dos recém-nascidos que vão para a UTI Neo e de proporcionar a eles uma estadia o mais agradável possível, com uma participação grande da família no cuidado desses bebês e promover o contato com eles, auxiliar na amamentação e no armazenamento de leite materno e orientar e ajudá-los nos cuidados do prematuro após a alta hospitalar”.

Na Pro Matre Paulista, a atenção com a prematuridade não é recente, conta Dra. Edineia. Em 2000, a Pro Matre Paulista possuía um total de 16 leitos de UTI Neo. Em poucos anos, o número passou para 26, e em 2005 foi inaugurada uma nova ala no sexto andar, onde oferecemos 40 leitos”.

“Esta nova área de UTI Neo”, relata a especialista, “foi criteriosamente construída procurando criar salas com 6 a 8 leitos distribuídos de uma maneira uniforme, com amplo espaço e dividida com vidros, para uma visão ampla dos leitos, tendo atenção com a luminosidade e evitar ruídos excessivos (com a criação de um teto acústico para minimizar os barulhos)”.

A cada ano a Pro Matre investe na melhoria do cuidado intensivo neonatal com tecnologia de ponta para a assistência de excelência, usando incubadoras de última geração, com capacidade em manter a temperatura e umidificação adequadas ao prematuro extremo, que precisa de um cuidado todo especial”, descreve. “Também disponibiliza ventiladores mecânicos que proporcionam uma ventilação mais gentil e menos invasiva aos pulmões desses bebês com extremo baixo peso”.

Aliado a uma estrutura completa, o cuidado humano proporcionado por profissionais especializados também é fundamental, lembra a neonatologista. “Hoje a UTI Neo da Pro Matre conta com 70 leitos e temos uma equipe multiprofissional extremamente capacitada para um cuidado integral ao prematuro (enfermagem neonatal, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, psicólogas, especialistas médicos, nutricionista, farmacêutica, banco de sangue e laboratório) ”.