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28/12/2010

A nova mulher e a hipertensão gestacional

A incidência de hipertensão arterial na gestação tem sido um dos principais focos de atenção da Ginecologia e Obstetrícia nos últimos anos. De acordo com o Comitê de Mortalidade da Prefeitura Municipal de São Paulo, as complicações decorrentes da hipertensão gestacional são o primeiro fator de mortalidade materna (32,8%). As evidências apontam que o crescimento das ocorrências da doença está embasado no estilo de vida da mulher moderna, com o adiamento da primeira gestação e a vivência do estresse no dia a dia.

O aumento da pressão arterial durante a gestação é conhecido como Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHEG). Mulheres que, habitualmente, apresentam pressão arterial normal podem desenvolver hipertensão durante a gestação. O quadro pode evoluir para a chamada pré-eclampsia, normalmente detectado por sintomas como dor de cabeça, inchaço, retenção de líquidos, hipertensão e presença de proteína na urina. A evolução desse quadro pode levar à eclampsia e à Hellp Síndrome, conjunto de sintomas com alto potencial de gravidade.

Embora o perfil das gestantes acometidas pela doença aponte algumas características comuns – maior incidência na primeira gestação ou na primeira gestação após troca de parceiro, idade superior aos 35 anos, gestação no período mais frio do ano – a origem da hipertensão gestacional ainda é desconhecida. No entanto, algumas condutas atuais de diagnóstico e tratamento permitem a predição e a prevenção das consequências da hipertensão gestacional.

"Hoje, o ultrassom morfológico realizado entre a 11ª e a 12ª semanas de gestação permite um estudo detalhado das artérias uterinas, o que nos possibilita predizer a ocorrência da hipertensão durante a gravidez", comenta Dr. Alberto d´Auria, obstetra do Grupo Santa Joana. A detecção nesta fase funciona como um alerta para o obstetra e para a própria gestante, ficando ambos atentos aos sinais clínicos que evidenciam um provável aumento da pressão arterial.

O mesmo exame, ultrassom com dopplerfluxometria, será então repetido entre a 20ª e a 24ª semanas. Confirmadas eventuais alterações arteriais uterinas, a conduta pode incluir uso de drogas antihipertensivas e anticoagulantes, como o ácido acetil salicílico (AAS), e mudanças no estilo de vida da gestante (dieta com restrição de sal, exercícios físicos etc.)

O Grupo Santa Joana – Hospital e Maternidade Santa Joana e Pro Matre Paulista – desenvolveu um protocolo de atendimento específico para gestantes com quadro de hipertensão arterial. Quando admitidas no Pronto Atendimento das maternidades, elas são atendidas por um grupo multidisciplinar que inclui obstetra, anestesista e intensivista. A análise inclui exame clínico, avaliação do feto e testes laboratoriais.

“Hoje, o raciocínio médico é feito com foco no binômio mãe-bebê, procurando preservar a integridade de ambos. Não se admite mais a escolha por um dos dois, como ocorria antigamente”, acrescenta o obstetra, contribuindo para desmitificar o tema.

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