Novidades

Tamanho do Texto:

Novidades do mês de Outubro

18/10/2010

ENTREVISTA - Cuidados especiais

A importância de uma boa UTI neonatal para a saúde e segurança dos bebês recém-nascidos

Depois de meses de espera, toda mãe quer voltar da maternidade para casa com o filho, mas infelizmente nem sempre isso é possível, e o bebê precisa ficar algum tempo em uma Unidade de Terapia Intensiva, a UTI. Conversamos com a Dra. Edinéia Vaciloto Lima, neonatologista e chefe responsável pela UTI neonatal da Pro Matre Paulista, que nos contou um pouco como é a rotina numa UTI e o que é possível fazer para melhorar a permanência dos pais e dos bebês dentro da unidade.


Matre Paulista - Quando foi inaugurada a UTI neonatal da Pro Matre Paulista?

Dra. Edinéia Vaciloto Lima - Nossa UTI foi inaugurada em 2000 e ficava no 3º andar. Nesta época, a Pro Matre Paulista realizava cerca de 250 partos por mês. Havia 20 leitos e a ocupação era baixa, não chegava a 50%. Em 2005, o número de nascimentos aumentou e com isso, aumentou também o número de bebês que vieram para a UTI. Por isso houve uma necessidade de ampliar o espaço físico. Quando viemos para o 6º andar, tínhamos 40 leitos. Hoje, há 53 leitos de UTI neonatal.


PMP – Qual é a estrutura da UTI neonatal da Pro Matre Paulista?

Dra. Edinéia – Em relação aos equipamentos, há incubadoras de alta tecnologia para receber esses bebês pequenos e menores de 1 kg, aparelhos de ventilação mecânica, oxímetros e aparelhos para os controles dos sinais vitais, raio-X 24 horas, laboratório, ultrassom e ecocardiograma na beira do leito e um suporte de banco de sangue 24 horas, em caso de necessidade. É utilizado um sistema informatizado (sistema MV) para prescrição eletrônica de todos os bebês.

Quanto à equipe, temos neonatologistas e enfermeiras 24 horas de plantão, e outros especialistas (cardiologistas, cirurgiões cardíacos, oftalmologistas) que fazem a cobertura no momento que for necessário. Existe também uma Comissão de Infecção Hospitalar extremamente atuante na UTI neonatal.

A nossa intenção foi criar uma UTI humanizada, com atendimento mais personalizado É uma área de um pouco mais de 300m2 fechada por vidro e distribuída em sete salas. Para a inauguração da UTI, pedimos a consultoria de um especialista em humanização de UTI neonatal que sugeriu salas menores, teto acústico e outros detalhes para diminuir o ruído.


PMP – Qual é a rotina dentro da UTI?

Dra. Edinéia – A visita dos pais é liberada das 9 às 21hs (um período de manhã, tarde e noite). É claro que, pela gravidade do caso, alteram-se esses horários, mas geralmente a visita é a partir das 9hs. A visita dos avós também é permitida uma vez por semana.

Como queremos diminuir ruído e o estresse do bebê, temos horários que chamamos de “PSIU”. São momentos do dia que nós procuramos não mexer com o bebê. Diminuímos a luz para que ele tenha um período um pouco mais tranquilo dentro de uma vida agitada de UTI.

Há também o método Canguru que independente da idade e da faixa de peso, desde que o bebê esteja internado aqui, é possível fazer. Hoje, por exemplo, há bebês de 800 gramas que, mesmo com ventilação mecânica, podem fazer o Canguru (ir para o colinho do pai ou da mãe) uma vez ao dia. Sabemos que o contato pele a pele é extremamente importante para o desenvolvimento neuropsicomotor, diminui a infecção, e é vital para garantir o bem-estar tanto dos bebês como dos pais.


PMP – A mãe pode amamentar seu filho na UTI?

Dra. Edinéia – A Pro Matre Paulista incentiva muito o aleitamento materno. Existe um grupo de suporte nutricional que procura estimular que o recém-nascido receba leite materno independente da sua idade gestacional e do peso. Aqui há uma porcentagem muito grande de mães que conseguem amamentar o bebê, mesmo aqueles que foram prematuros. Às vezes, essas mães saem daqui em aleitamento materno exclusivo.

O hospital oferece um posto de leite humano onde as mães podem tirar o leite e armazená-lo para que os seus bebês prematuros recebam esse alimento. Procuramos evitar o uso da mamadeira, e a oferta inicial do leite é feita no copinho.


PMP – Existe algum acompanhamento psicológico para os pais com filhos internados na UTI?

Dra. Edinéia – Temos uma equipe com duas psicólogas que passam pela UTI neonatal duas vezes por semana. A cada 15 dias, elas se reúnem com as mães para esclarecer dúvidas e discutir os problemas do dia a dia.


PMP - Quais são os critérios adotados para indicação de UTI neonatal?

Dra. Edinéia - Em nossa instituição, o critério é que todo bebê menor de 2,2 kg, independente da idade gestacional, ou recém-nascido que tiver um desconforto respiratório, alguma intercorrência ou alguma patologia, deve ser encaminhado à unidade.

Dos nascidos aqui na maternidade, uma média de 10% vai para a UTI neonatal. Já os trigemelares e os quadrigemelares precisam da UTI mesmo que seja por um período curto.

É importante ressaltar que fazemos parte de uma rede internacional Vermont Oxford que compara os dados de recém-nascidos menores de 1,5 kg. Hoje, temos cerca de 700 UTI´s neonatais no mundo que fazem parte dessa rede com o intuito de obtermos as melhores práticas e resultados no tratamento dos recém-nascidos prematuros.


PMP - Qual é o índice de bebês prematuros nascidos na Pro Matre Paulista?

Dra. Edinéia - No ano passado, tivemos 8.377 nascimentos, sendo 6% desses nascidos com menos de 2,5Kg, 1% com menos de 1,5kg e 0,5% menores de 1kg.


PMP – E depois da alta da UTI? Existe algum acompanhamento do bebê?

Dra. Edinéia – No momento da alta da UTI, os pais recebem um resumo de alta hospitalar com todos os diagnósticos e tratamentos realizados nesse período para que seja feito o acompanhamento ambulatorial da criança com o pediatra ou encaminhamento a algum especialista, se for necessário.

Voltar