Hipertensão e diabetes podem estar ligados à idade da gestante: mito ou verdade?

Verdade. O aumento da ocorrência de hipertensão e diabetes na gestação está diretamente ligado à idade mais avançada na gravidez. Como explica Dr. Felipe Favorette Campanharo, clínico da Pro Matre Paulista, as duas doenças normalmente começam a se manifestar em pessoas com mais idade, e isso vale para mulheres. “Gestantes que já apresentavam quadros crônicos dessas doenças podem sofrer o agravamento delas durante a gravidez, ficando expostas a riscos como parto prematuro, restrição de crescimento fetal, hemorragias pós-parto, entre outros”, comenta.

No entanto, há manifestações dessas doenças que são específicas da gestação e podem acometer mulheres que, antes da gravidez, não apresentavam quadros crônicos nem de hipertensão nem de diabetes. A pré-eclâmpsia, principal ocorrência nos serviços de terapia intensiva e semi-intensiva das maternidades, está relacionada ao aumento de pressão arterial após a 20ª semana da gravidez, ainda que a mulher não seja portadora crônica de hipertensão. “Outros sinais de pré-eclâmpsia são a presença de proteína na urina e inchaços significativos”, acrescenta Dr. Felipe.

No caso do diabetes gestacional, a origem pode estar em um quadro anterior à própria gravidez (histórico familiar, obesidade etc.) ou não. “Muitas mulheres desenvolvem o diabetes durante a gravidez pela ação de hormônios, produzidos apenas durante a gestação, que interferem na ação da insulina”, lembra o médico. Em geral, essas pacientes tendem a não apresentar mais o quadro de diabetes após a gestação. Isso será monitorado, ao longo da gravidez e nos primeiros meses após o parto, por meio de exames clínicos e laboratoriais (curva glicêmica), e a persistência do diabetes pode variar de uma paciente para outra. As chamadas cardiopatias (doenças cardíacas) também podem ser agravadas ao longo da gestação, principalmente pela sobrecarga ao sistema circulatório própria da gravidez.

Mas, felizmente, se os riscos existem e devem ser considerados, o avanço da obstetrícia permite vislumbrar um número cada vez maior de mulheres grávidas e saudáveis com idades superiores a 35 anos. O planejamento da gestação é um passo importante para assegurar esse quadro. A manutenção do peso ideal, antes e durante a gravidez, também resguarda a mulher de uma série de riscos. Um pré-natal cuidadoso, sobretudo, garante a atenção necessária a todas as variações do quadro clínico, que podem sugerir algum tipo de alteração.

“Hoje, graças a serviços como as unidades de terapia semi-intensiva, as complicações da gravidez são monitoradas e, seus sintomas, tratados, possibilitando que a mulher mantenha a gestação pelo maior tempo possível, evitando partos prematuros e tornando viável o nascimento de seus bebês”, testemunha Dr. Felipe. O tempo continua passando, mas a medicina está ajudando as mulheres a se entenderem com ele.

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