Gravidez de gêmeos é uma gestação de risco?

Uma gestação altera o corpo e a vida de uma mulher. Essas mudanças se fazem mais presentes numa gravidez de gêmeos? Quem explica é o Dr. Guilherme Loureiro Fernandes, responsável pelo serviço de Medicina Fetal da Pro Matre Paulista.

“Uma nova gestação é sempre um sinal de esperança e alegria para o casal e seus familiares. A expectativa de um belo futuro, do espírito da maternidade é algo que permeia a emoção de toda gestantes. Quantas vezes não ouvimos delas ‘doutor, tomara que sejam gêmeos’, e nessa hora pensamos, ‘mal sabe ela dos riscos’”, analisa.

Sobre esses riscos, o especialista explica: “diante de uma gestação gemelar, devemos de imediato classificar se a gravidez é de um ou de duas placentas.” Essa confirmação deve ser feita por ultrassom, diz o médico, “de preferência realizado por um serviço especializado em Medicina Fetal, bem como todo o acompanhamento da gravidez, até o parto”.

Independente do número de placentas, a gravidez de gêmeos é considerada de risco, principalmente de prematuridade, afirma Dr. Guilherme. “Quanto mais fetos, maiores são os riscos”.

“A gestação monocoriônica, de uma placenta, apresenta possibilidade de desenvolver a Síndrome de Transfusão Feto-Fetal, podendo ser diagnosticada no fim do primeiro trimestre ou até mais tardiamente”, diz. Nestes casos, o especialista recomenda, como há um aumento significativo de risco de morte para o bebê, a cirurgia fetal, realizada com laser, é necessária.

Dr. Guilherme explica que problemas de saúde próprios da gestação de gêmeos com uma placenta podem vir acompanhados de polidrâmnia, alteração relacionada à quantidade de líquido amniótico no útero. Podendo aumentar o risco de trabalho de parto prematuro e amniorexe (rotura prematura de membranas amnióticas).

“Em relação às gestações dicoriônicas, duas placentas, o risco de Síndrome de Transfusão Feto-Fetal não existe,” afirma. “Porém há um aumento de patologias própria de gestações únicas que acontecem ao mesmo tempo, por exemplo, um feto crescer mais que o outro”.

Entretanto, lembra o médico, qualquer que seja o tipo de gestação de gêmeos é necessário acompanhamento especializado, com curto intervalo entre consultas médicas e avaliação ultrassonográfica e hemodinânica. “Pois podem se manifestar doenças clínicas e obstétricas mais frequentes quando comparadas a gestações de fetos únicos, como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes e o maior risco de prematuridade. Bem como redução do colo uterino, algo muito frequente, que necessita de ferramentas terapêuticas como o uso vaginal de progesterona natural micronizada.”

Dr. Guilherme reforça: “a gemelaridade muda a condução do pré-natal tanto para o obstetra como para a gestante e seus familiares”. O especialista adverte que o sucesso na gravidez de gêmeos depende muito da conscientização da família para os riscos à mãe e aos bebês.

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